As dúvidas e dilemas da gestante


 

Textos do Livro Gravidez Saudável – Guia Prático da Gestação ao Bebê

 

Posso saber antes se o meu parto será normal ou cesárea?

Se sua gravidez cursa de maneira normal, sem complicações, com um desenvolvimento adequado e ausência de doença ou fator de risco para você ou para o bebê, e sua duração não passou dos nove meses (40 semanas), você poderá, neste caso, aguardar os sinais e o início do trabalho de parto espontâneo em casa, com o seguimento indicado pelo médico do pré-natal até a data máxima estipulada para espera.

Na grande maioria das gestações, mesmo o médico do pré-natal não conseguirá saber com certeza, antecipadamente, se seu parto será normal ou cirúrgico (cesárea ou fórcipe). Geralmente, somente após a sua internação na maternidade e a realização dos exames durante o trabalho de parto, o qual pode apresentar uma evolução normal ou complicações que ponham em risco o seu bem-estar ou do bebê, é que o médico decidirá sobre a melhor via de parto para o seu caso.

Na maior parte das vezes, para saber se o seu bebê pode ou não nascer de parto normal, será necessário aguardar o início do trabalho de parto, sempre que possível de modo espontâneo ou mesmo induzido por medicamentos. Este processo é chamado de “prova de trabalho de parto”.

A imprevisibilidade e a incerteza do sucesso na tentativa do parto normal são características muito marcantes da gestação e fatores geradores de grande ansiedade para você ou até mesmo para o médico obstetra.

 

Qual é o melhor tipo de parto, normal ou cesárea?

Por que parto natural?

Uma das suas maiores dúvidas e questionamentos no final da gravidez será quanto ao melhor tipo de parto para o nascimento do seu bebê. Não existe uma regra geral a ser seguida para todos os casos, mas a orientação é deixar, sempre que possível, a gestação e o parto seguirem seu curso e final determinados pela natureza, ou seja, o parto normal.

O parto ideal é aquele que oferece melhor bem-estar, satisfação, conforto, confiança, segurança e saúde para você e o bebê. Dependerá, portanto, das características individuais, corporais e da personalidade de cada gestante, evolução da gestação, se normal ou não, além das condições atuais do bebê.

Se estiver tudo bem com você, a gravidez será chamada de “baixo risco”, o que ocorre na grande maioria das vezes, em quase 90% dos casos, quando então o melhor caminho a seguir para o desfecho natural da sua gravidez será o parto normal, seguramente.

De maneira geral, a cesárea teria sua indicação precisa e absoluta em apenas 15% a 20% do total das gestações. Mas na prática diária o índice de parto por via cesariana nas maternidades do país em geral, principalmente nos hospitais particulares e de convênios, chega a 80% ou mais, decaindo bastante nas maternidades públicas onde se tem um maior número de partos normais do que cirúrgicos.

Existe em cada sociedade e no meio em que vivemos uma “cultura de parto”, assim como ocorre para o aleitamento materno, que exercerá grande influência em você. Se sua mãe, familiares e conhecidas tiveram parto cesariana, você provavelmente estará inclinada também o tê-lo. Em situação contrária, a tentativa de parto normal será então mais incentivada e valorizada.

Um dos motivos mais freqüentes que podem levá-la a optar pelo parto via cesárea será o medo de sentir a tão temida e assustadora dor do trabalho de parto e nascimento, comumente relatada por outras mães como sendo muito sofrida, incontrolável e insuportável.

Há muitos comentários como: “Você precisa ter muita coragem”, ou até “Você não vai agüentar a dor e pedirá cesárea na hora”. Tudo isso irá desestimulá-la e amedrontá-la para tal tentativa. Tenha sempre em mente que a dor do parto normal tem início, meio e fim marcados pelo nascimento de seu bebê e que estar mais perto do final de modo mais rápido dependerá muito de você, de seu entendimento, esforço e cooperação, acarretando uma grande compensação após. Por outro lado, a recuperação do parto cirúrgico, como a cesariana, tende a ser mais desconfortável, duradoura e variável.

Entre outros fatores que podem também inibir você a ter um parto normal, estão o temor de ficar depois permanentemente deformada, com alterações dos genitais ou comprometimento da função sexual, além da bexiga baixa, problemas de urina, etc. Não se esqueça, entretanto, de que no parto cesárea o tamanho, a profundidade e a complexidade do corte é bem maior, com um conseqüente aumento das chances de complicações, como de infecção, hemorragia, abertura e dor nos pontos, por ser este um ato cirúrgico.

Mesmo a cesárea programada (antes do trabalho de parto) também pode ter riscos maiores em relação ao parto normal, como o de estar se retirando um bebê ainda não “maduro”, que poderá desenvolver com maior freqüência problemas respiratórios no berçário. A sua recuperação será mais lenta com maior dor após o parto e dificuldades para pegar, carregar, amamentar o bebê e cuidar dele, necessitando assim de mais ajuda no hospital e em sua casa.

Portanto, as mães que escolhem a cesárea para fugir da dor antes e durante o parto sentirão no dia seguinte da cirurgia, quando já tiver passado o efeito anestésico, uma sensação dolorosa no corte e por todo o abdome, geralmente maior, mais incomodativa e limitante que a dor do parto normal, além dos riscos mais elevados, inclusive em gestações futuras.

Desta forma, a grávida que opta desnecessariamente pelo parto cirúrgico cesariana, no qual o bebê será extraído do seu útero sem a sua participação, poderá arrepender-se depois por trocar uma dor pela outra, correndo ainda o risco de ficar com um sentimento de ter desistido e não participado ativamente do maior evento e obra de sua vida, que é o de fazer nascer o seu filho, dando-lhe à luz, para assim vencer este primeiro obstáculo com coragem e determinação.

A maioria das mulheres que já passaram pelas duas experiências diz que a dor do parto é preferível e mais tranqüila a do pós-operatório.

Do ponto de vista profissional, o médico também deverá fazer uma opção sobre qual o melhor tipo de parto indicado para o seu caso. O ideal será uma escolha baseada no parto que ofereça maior satisfação e segurança para você, com os menores riscos e complicações, levando ao nascimento de um bebê saudável e normal.

A cesárea a pedido da gestante é muitas vezes uma solicitação de ajuda, socorro e apoio para enfrentar o incontrolável medo, a ansiedade e a insegurança em relação ao parto e ao nascimento.

Idealmente, o seu médico deve lhe oferecer apoio, incentivo e segurança, dando-lhe alternativas para o controle e alívio da dor durante o processo do parto, dividindo responsabilidades, de tal forma que o sucesso ou não seja fruto de um trabalho de co-participação e cooperação mútua.

Um eventual insucesso na obtenção do nascimento pelo parto normal não deve jamais ser visto ou sentido como uma derrota, mas sim apenas como uma tentativa que não deu certo e que seguramente deve ser feita, sempre que possível.

Mesmo decidindo inicialmente a fazer e permitir o parto natural, quando o mérito é todo seu, a qualquer momento você poderá mudar de opção numa decisão conjunta com seu médico.

Finalmente, tão importante quanto você decidir qual o melhor parto para você ter o seu bebê, principalmente se optar pelo parto normal, será escolher o seu médico–obstetra, idealmente mediante indicação, conhecimento e resultado de outras mães, amigas ou familiares, que obtiveram sucesso e/ou satisfação no nascimento de seu filho e na tentativa do parto vaginal.

 

O maior de todos os projetos é tomar uma decisão!