O Parto


O dia do parto

Texto do Livro Gravidez Saudável – Guia Prático da Gestação ao Bebê

 

O reconhecimento do trabalho de parto
O trabalho de parto e o dia tão esperado do nascimento serão marcados
por sinais e sintomas característicos, diferentes do que você vinha sentindo ultimamente, quando, por meio deles, você saberá que é chegada a sua hora. Esse momento será definido pela progressão das contrações e da dilatação do seu colo uterino.

 

Sinais de aproximação do parto

Rompimento da bolsa das águas

A membrana amniótica ou bolsa das águas poderá romper-se antes ou durante o trabalho de parto. O reconhecimento da rotura da bolsa é feito através da saída, pela vagina, de um líquido semelhante à água-de-coco, de uma vez ou aos poucos, em quantidade variável, geralmente grande, escorrendo pelas pernas e molhando toda as suas roupas íntimas. Nessa situação você deve procurar assistência médica imediata em nível hospitalar.
Você deverá ficar internada para observação e, se até esse momento as contrações uterinas não começaram, possivelmente será feita a indução do parto com soro endovenoso, a não ser que seu bebê seja ainda muito prematuro e se resolva aguardar seu desenvolvimento e maior maturidade, apesar do risco de infecção para você e o bebê por estar a bolsa rompida. Nesse caso será necessário permanecer internada para controle e realização de exames. Grande parte das mulheres entra em trabalho de parto espontaneamente, até 24 horas após o rompimento da bolsa, se a gravidez é de termo (9 meses).

Contrações uterinas

A existência das contrações do útero é o sinal necessário e “decisivo” para odiagnóstico de certeza do início do trabalho de parto, principalmente se associada ao processo de dilatação progressiva do colo.

No início, as contrações serão sentidas como um endurecimento do seu útero, podendo ser fracas e percebidas apenas como uma dor leve nas costas e na parte inferior da barriga, causando uma pontada na vagina, ou semelhante à cólica menstrual. Com o passar do tempo, você deverá notar um aumento das dores que ocorrem junto com as contrações enquanto a sua barriga estiver dura, tornando-se cada vez mais fortes, duradouras e ritmadas, até atingirem progressivamente intervalos bem mais curtos. Nesse momento poderá, então, começar a marcar o tempo no relógio entre uma contração e outra, até que se alcance o ritmo necessário de uma contração a cada cinco minutos ou de pelo menosduas contrações em dez minutos, de forma seguida e regular, durante uma hora de observação no mínimo, e totalizando o número de doze contrações dolorosas consecutivas nessa última hora.

Caso ocorra o rompimento da bolsa, haverá o aumento das contrações e a aceleração do trabalho de parto.

Por vezes poderá ser necessário que você fique em observação na maternidade em repouso, durante uma a duas horas, quando será possível receber alguma medicação analgésica para que se tenha certeza de tratar-se do verdadeiro trabalho de parto, afastando um “alarme falso”, tão comum principalmente na primeira gestação. Após esse período de espera, caso continue a sentir as contrações mais fortes, bem ritmadas, com duas ou mais a cada dez minutos, e acompanhada geralmente de aumento na dilatação do colo, necessitará, então, ser internada.

Dilatação do colo uterino

No final da gravidez, quando você começa a sentir as contrações com maior

freqüência e intensidade, o colo do útero passará por um processo de amadurecimento e preparação para o parto, tornando-se mais amolecido, centrado na vagina e apagando-se gradativamente até se incorporar totalmente à cavidade uterina, ao mesmo tempo que vai se abrindo.

A dilatação do colo é, portanto, resultado da ação persistente das contrações uterinas regulares e eficazes que ocorrem durante o trabalho de parto, empurrando assim a bolsa e o bebê progressivamente para baixo, até abrir o útero. Esse processo de dilatação passa por uma “fase inicial” com progressão lenta, para atingir depois a chamada “fase ativa do trabalho de parto”, com evolução mais rápida em poucas horas.

A velocidade da dilatação é, em média, de um centímetro por hora no seu primeiro parto, sendo mais acelerada nos próximos partos, em torno de um e meio centímetro ou mais a cada hora. A dilatação é dita total ou completa quando atinge dez centímetros, podendo naturalmente demorar aproximadamente de dez a quatorze horas.

Durante a fase de abertura e apagamento do colo uterino, poderá haver um leve sangramento local, que você perceberá sair como uma secreção de coloração avermelhada ou escura, geralmente misturada com o tampão vaginal tingindo-o de sangue, ou ainda sair após urinar.

Outra situação em que poderá ocorrer um pequeno sangramento vaginal será após ter sido realizado, pelo médico, o exame de toque vaginal no seu colo, não devendo assim lhe causar preocupação.

Procure relaxar e manter a calma, descansando ao máximo no intervalo entre as contrações até que elas fiquem bem fortes, a cada cinco minutos sem parar.

 

Sinais de aproximação do parto

Queda do ventre.

• Saída de sangue ou tampão mucoso pela vagina

• Contrações uterinas dolorosas e freqüentes.

• Alterações no colo do útero (dilatação).

.

 

 

O parto normal

Texto do Livro Gravidez Saudável – Guia Prático da Gestação ao Bebê

 

Clinicamente o parto é dividido em quatro períodos:

• 1o período (da dilatação do colo uterino);

• 2o período (da expulsão do bebê);

• 3o período (da dequitação);

• 4o período (da observação materna pós-parto).

 

O primeiro período (dilatação)

Para enfrentar melhor o trabalho de parto, tente pensar nas contrações como se tivesse que subir a pé uma montanha com toda sua disposição e esforço, porém tendo se preparado bem para isso, determinada a alcançar o seu topo apesar da distância, obstáculos, riscos e cansaço, mas certa de que terá uma enorme compensação, satisfação e felicidade por conseguir chegar lá e enfim admirar a sua maravilhosa paisagem bem do alto, além de depois poder descansar sentindo, acima de tudo, que valeu a pena e que você é uma vencedora!

Durante o trabalho de parto, para ajudar a si mesma ao sentir as contrações, procure não pensar nelas apenas como uma dor ruim, mas sim como o caminho a ser percorrido para atingir seus objetivos, obtendo a dilatação necessária e o sucesso no parto. Isso faz parte do processo natural de nascimento, que deveria se ter “consciência” desde o início da gravidez para um preparo adequado, inclusive emocionalmente.

Tudo na vida tem seu preço!

O segundo parto em diante tende a ser mais rápido e mais fácil. A dilatação do colo uterino ocorre de modo mais acelerado (em torno de 1,5 cm/hora) e psicologicamente você deverá estar mais segura e com menos medo, por ter a sua própria experiência e consciência de todo o processo, principalmente se já teve um parto normal anterior.

No caso de o outro parto ter sido cesárea isso poderá não ocorrer, o que tende a deixá-la insegura, desanimada ou mesmo achando ter algum problema que impeça a tentativa de um parto natural. Nesta circunstância, entra o papel do obstetra, fundamental para lhe dar o suporte necessário para enfrentar um novo trabalho de parto com tentativa de parto normal. Ressalta-se novamente a grande importância de saber e ter sido bem explicado o real motivo da indicação da cirurgia anterior.

De qualquer modo, lembre-se de que a gestação e o parto serão sempre diferentes um do outro, até na mesma mulher. Se você já teve uma experiência ruim anteriormente, isso não significa que será sempre assim. Procure entender o que aconteceu esclarecendo todas as suas dúvidas e converse com seu médico para que ele possa tranqüilizá-la.

A dor de parto varia de mulher para mulher e de gestação para gestação, de acordo com diversos fatores: limiar individual, grau de relaxamento, condições do

ambiente, apoio de familiares e profissionais, confiança e segurança no médico, preparação prévia, e outros tantos. É também diretamente influenciada por mecanismos psicológicos e emocionais, como medo e tensão, que faz aumentar ainda mais a dor, num círculo vicioso.

No decorrer do trabalho de parto, principalmente no seu primeiro período, a dilatação, tente ficar em posições nas quais se sinta mais confortável.

Evite descansar de costas com a barriga para cima por muito tempo, permanecendo, quando deitada, na posição de lado. Se quiser, poderá andar enquanto agüentar ou tomar longos banhos de chuveiro com água morna, sentada ou de pé.

Seu companheiro pode ajudar nessa hora lhe dando apoio, conforto e estímulos

positivos, para aumentar assim a sua confiança e tranqüilidade. Será útil também segurar a sua mão, massagear as suas costas ou abdome, e ajudar a mudar de posições. Servirá ainda de apoio para andar ou simplesmente para ouvi-la nesse momento tão especial.

Tente se distrair conversando, lendo ou mesmo ouvindo música, enfrentando uma contração de cada vez, sem temer a próxima. Caso sinta vontade, urine com freqüência para que a bexiga cheia não atrapalhe a descida do bebê. Fale com seu médico sobre formas de aliviar as dores ou mesmo solicitando a “analgesia de parto”, sempre que for possível

Se nessa fase suas contrações estiverem fracas ou fora de ritmo, o médico poderá acelerar o trabalho de parto e o nascimento introduzindo, na sua veia, um soro com medicamento (um hormônio chamado ocitocina), ou mesmo rompendo a bolsa, caso ainda esteja íntegra, para melhorar as contrações e auxiliar no processo de dilatação.

É papel do obstetra dar apoio, incentivo e segurança, abreviando o nascimento quando possível, aliviando a sua dor, para que todo esse processo esteja dentro do seu limite de tolerância e se transforme num acontecimento plenamente satisfatório e compensador.

Geralmente quando perguntamos à parturiente se ela prefere ter contrações fracas, determinando um trabalho de parto mais lento, ou contrações mais fortes e intensas, mesmo que mais dolorosas, porém levando a um nascimento acelerado, a grande maioria prefere o parto mais rápido. Procure colaborar ao máximo, entendendo e participando de tudo.

Uma das técnicas de relaxamento que pode ser usada no período de dilatação é a respiração: no começo e no fim de cada contração, respire de forma profunda e ritmadamente, inspirando (enchendo) pelo nariz e expirando (soltando) pela boca, para aumentar a oxigenação para você e o bebê, tentando, no pico da contração respirar mais levemente, inspirando e expirando somente pela boca. Respire, assim, só nas contrações mais fortes e não por muito tempo seguidamente, para não atrapalhar a adequada oxigenação do bebê. O ideal é que você tenha treinado anteriormente com seu médico no pré-natal ou em cursos preparatórios para o parto.

Nessa etapa o mais importante é saber aguardar e ter muita paciência. Afinal, você se preparou durante nove meses para esse momento, podendo suportar as próximas horas. Guarde toda sua força para o período seguinte, de expulsão do bebê, quando será fundamental a sua ajuda.

 

O segundo período (expulsão)

O primeiro estágio do parto, fase da dilatação, termina quando o colo uterino está totalmente dilatado, ou seja, com cerca de 10 centímetros, e pronto para a passagem do bebê, que coincidirá com as contrações mais fortes e dolorosas, dando início, assim, ao segundo período, da expulsão e saída do seu bebê.

Nessa fase em que ele desce mais rapidamente, você poderá começar a sentir uma sensação de peso ou pressão no ânus, como se estivesse para evacuar. Quando isso ocorre, geralmente a cabeça já está bem baixa na vagina e o nascimento muito próximo, seja sozinho, por meio de toda a sua força no “parto normal”, ou com a ajuda do obstetra por meio do uso do “fórcipe”.

Durante o período expulsivo, você sentirá naturalmente vontade de fazer muita força empurrando o bebê para fora, porém a força expulsiva só deve ser feita junta e no auge das contrações uterinas, num esforço conjunto, auxiliado e coordenado pelo médico. Esse período dura até uma hora, se for seu primeiro filho, podendo ser mais prolongado se você estiver sob efeito da anestesia.

Antes que você seja anestesiada é importante aprender e treinar, com a ajuda do obstetra, o esforço expulsivo do parto e a forma certa de fazer a força da prensa abdominal, para que saiba colaborar corretamente quando não sentir mais as contrações dolorosas como referência. Isso ajudará também a reduzir o tempo para o nascimento, beneficiando você e o bebê.

O segundo estágio (período expulsivo) do trabalho de parto se inicia quando o colo do útero está totalmente dilatado e você pode começar a fazer força. Esse estágio é bem mais gratificante do que o primeiro, porque seu esforço unido às fortes contrações do útero ajuda você a empurrar o bebê para fora. O médico deve orientá-la a fazer força no momento certo, estimulando-a.

Muitas vezes para se conseguir a saída e o desprendimento final da cabeça do bebê poderá ser necessário, após avaliação criteriosa, fazer-se a episiotomia na tentativa de protegê-la contra lesões genitais e perineais, e para auxiliar o nascimento que se prolonga, principalmente se esse é o seu primeiro parto, ou o bebê for prematuro ou muito grande.

Após o parto vaginal (normal ou fórcipe) é comum o bebê apresentar um inchaço na cabeça, conhecido como “bossa serossangüínea”, em virtude da passagem pelo canal de parto e vagina. Ela será reabsorvida espontaneamente, sumindo em poucos dias.

Tenha sempre em mente que o período expulsivo e as “dores” acabam quando o bebê nascer. Nesse momento você sentirá uma agradável sensação de missão cumprida e de ter seguramente feito tudo e o melhor pelo seu filho.

Portanto, não desanime, nem desista fácil. Pense positivamente, com otimismo, e use sua força interior. Você pode e conseguirá.

 

 

Fotos Livro Gravidez Saudável


1 A cabeça do bebê se aproxima cada vez mais da abertura
vaginal até que finalmente seja possível ver o volume que ela
forma ao pressionar o assoalho pélvico. Logo mais todo o alto
da cabeça é visto, movendo-se para frente durante cada contração.
Continue a fazer força quando lhe for solicitado

 


2 Quando o topo da cabeça aparece, o médico
pede para você não fazer força. Se a cabeça sair
muito rápido, a abertura da vagina pode romper
ou comprometer o bebê. Para que não haja
risco de rupturas, o médico decide antes a
conveniência de fazer a episiotomia. Será solicitado então que você faça o último
esforço expulsivo para o desprendimento da cabeça auxiliado pelo médico.

 


3 A cabeça sai com o rosto virado para baixo. O médico
verifica se o cordão umbilical não está enrolado no pescoço
do bebê para desenrolá-lo. Depois, a cabeça será colocada
para um dos lados, alinhada com os ombros.

 


4
O médico fará movimentos para cima e para baixo até liberar
totalmente os ombros do bebê e seu corpo escorregar para fora.
O bebê pode estar meio azulado, com seu corpo coberto pelo
verniz caseoso (sebo branco). Talvez chore neste momento, mas
se isso não ocorrer, não se preocupe, pois o pediatra limpará
suas vias respiratórias e, se preciso, lhe dará oxigênio até que se
recupere do esforço para o nascimento. Após um parto normal
o bebê poderá nascer um pouco cansado, obtendo uma nota de
APGAR mais baixa no primeiro minuto de vida para recuperar-se
depois. Uma nota de APGAR no quinto minuto igual ou maior
que 7 significa boas condições de nascimento e um bebê saudável.

 

Fotos Livro Gravidez Saudável


5 Clampeamento do cordão.

 


6 Dequitação.

 


7
Placenta.

8 Episiotomia.

 

 

O terceiro período (dequitação)

Parabéns, você conseguiu!

Logo após o nascimento começa o terceiro estágio, também chamado de dequitação, secundamento ou delivramento, caracterizado pela separação e expulsão da placenta com a sua saída pela vagina. Nessa fase, você ainda poderá sentir algumas contrações, embora mais fracas, que determinarão o descolamento da placenta e membranas amnióticas do útero, com sua posterior descida e expulsão pelos genitais.

O médico ajudará no processo de dequitação, caso seja necessário, massageando sua barriga e fazendo pressão com uma mão no fundo do útero para auxiliar as contrações, enquanto puxa a placenta para fora.

Posteriormente deverá examinar a placenta, verificando se está completa.

É comum, após o parto, você sentir um pouco de tremores e calafrios passageiros.

Esses tremores acontecem em decorrência de uma adaptação do seu organismo às mudanças de temperatura pela perda calórica durante o trabalho de parto e parto, sendo esses mais exacerbados após parto com anestesia.

Aproveite esse momento para descansar e se recuperar.

Os principais riscos e complicações maternas nesse período são a hemorragia pós-parto e a retenção placentária. Finalmente, será feita rotineiramente a revisão do canal de parto a procura de possíveis lesões de trajeto, para suturá-las, quando for necessário.